quinta-feira, agosto 21, 2008


Este é o Diogo, disse a Mafalda com voz confiante. Os seus olhos brilhavam e as mãos mantinham-se nos bolsos, portanto não sei se estavam trémulas de emoção. Suponho que sim. Diogo estava visivelmente incomodado, as mãos, essas, nos bolsos também. O sorriso estava no lugar certo, tímido. Na noite anterior, Mafalda e Diogo permaneciam de mãos dadas num quarto de hotel, em camas diferentes mas unidas numa só. Perturbados pelo sono um do outro, mas resistentes. As luzes que apareciam na varanda iluminavam todo o espaço, e em silêncio a mão direita de um e a esquerda de outro confundiam-se. O silêncio não chegava a ser asfixiante, porque ambos se mantinham num entendimento celestial. Lembro-me uma vez, em que o silêncio quase me matava, a mim e a ti, porque não havia amor.

sexta-feira, agosto 15, 2008


estou triste já há vários meses. hoje os meus olhos dançam à chuva. tenho saudades tuas, e não há ninguém que te substitua. Nem há ninguém que faça intenções disso. Tenho pena, acima de tudo. Pena de não estares aqui. Pena de não sorrires agora. Pena de não estares aqui para me dar razão. Eras a única pessoa que ma dava. Éramos iguais. Volta.

sexta-feira, agosto 01, 2008


Penso todos os dias nisto. Que um dia te vais lembrar de mim. Não quero que seja agora. Não quero que seja já. Espero que seja daqui a uns cinco anos, quando só falarmos duas vezes por ano, e daquelas conversas aborrecidas de dois minutos. Olá. Tudo bem? Estás feliz? Óptimo! Vais procurar-me, tentar descobrir-me como dantes. Vou sorrir de novo, notar que estás tão longe, já tão longe de mim. Do que eu sou, do que eu fui. Do meu sangue, dos meus ossos, e daquele líquido transparente que corre de mãos dadas com o amor e que todos os dias nos massaja o corpo.

sexta-feira, julho 25, 2008


olhos nos olhos, por breves instantes. mãos nas mãos, sempre. sorriso vago, sem ser de todo verdadeiro. palavras, nenhumas. desilusões, todas. chegar a casa ao fim do dia, de mãos nos bolsos e orgulho estilhaçado. uma vontade de chorar enorme, pena não ser capaz.

segunda-feira, julho 14, 2008


não sei se vale mais a pena escrever, porque naquela noite senti uma dor no peito inimaginável. senti a vida desfazer-se aos bocados porque me escapou qualquer coisa, e hoje percebi que isso é a coisa que me magoa mais - não entender o que se passa à minha volta porque alguém tenta escondê-la. e há sempre uma noite mais escura que todas as outras, ensinou-me o Nuno uma vez, não sei se é a de hoje, se foi aquela em que me deixaste para sempre ou se foi aquela em que me deixaste, simplesmente... não sei se foi a noite em que abri os olhos de uma maneira diferente e senti o peso de todo o universo.
à medida que os dias vão passando aprendo sempre mais qualquer coisa, hoje aprendi que ter medo é a coisa mais escura que conheço, uma fita estranha que aperta os lábios. queria poder falar-te em voz baixa e dizer o quanto gosto de ti, agradecer-te, querer-te só meu.
receei todos os dias da minha vida que o dia de hoje chegasse mas aqui está ele, alguma vez vou ter que te dizer isto, vou ter que te explicar que a noite mais escura de todas noites foi aquela em que me ensinaste que há sempre uma noite mais escura que todas as outras.

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