terça-feira, março 04, 2008

O meu cabelo cheira ao fumo dos teus cigarros. Um sempre atrás do outro. Só mais um. Gosto de observar como saboreias cada travo, como semicerras os olhos e esboças um sorriso sempre a seguir. Não acredito que não penses nisso agora. Tenho a certeza que quando te diriges a uma janela te lembras dos segundos silenciosos, do olhar a baixar levemente até ao chão, da rapidez dos passos, de mim. . 'Preciso dum cigarro' Pode ser.
Fotografia da Mary

domingo, março 02, 2008


De repente a boca ficou seca. Os olhos mais abertos que nunca e um esforço imenso para os manter assim. As mãos quietas, sem acção. Mas a boca, ai a boca, a boca tão seca. Um desconforto na alma que só ela saberia contar. Um aperto no peito tão pesado como o céu, se nos caísse em cima. A música a passar no escuro. A luz da tarde a morrer e a querer entrar pelas frestas da janela. As tuas mãos enormes. Tão grandes que são as tuas mãos!

sábado, março 01, 2008


Não percebo, não compreendo. Gosto de ti e fazes-me isto? Já é a segunda vez que estou a passar pelo mesmo e juro-te que não vai acontecer uma terceira. Juro-te a ti e à vida! Lá fora está a chover desalmadamente como naquele início de tarde fabuloso. Foi muito bom para mim mas agora fazes-me questionar se também foi para ti. E isso deixa-me completamente indecifrável. Sou muito impaciente, odeio estas coisas. Porque é que tem que ser assim? Porque é que logo a seguir a um sorriso tem que chegar uma lágrima, ou mais do que uma? Porque é que o Inverno maldito não se vai embora? Porque é que o mundo não é perfeito em que vivemos todos juntos de mãos entrelaçadas e uma luz no peito a acender e a apagar? Porquê, porquê? É tão difícil crescer e tomar decisões, tão difícil ter saudades e observar o fim sem nada poder fazer. É tão difícil ter nas mãos tudo e conseguir mantê-las assim, cheias… É tão difícil observar o sol nascer sozinha.
Vou ficar aqui à tua espera, nem que seja a última coisa que eu faça!

quinta-feira, fevereiro 21, 2008


Mas há um dia em que finalmente descobrimos o que é o amor. E tudo aquilo que ele encerra, o bom, o efémero, o mágico. Falar de amor é difícil porque há tanto a dizer, palavras em catadupa que se sobrepõem. Mas no fim existe aquela incapacidade de falar, de verbalizar o quer que seja porque o peito está repleto de sensações diferentes, de tantos significados, de piscar de olhos que atravessam a alma. Falar de amor é difícil sim. É uma corda de fogo. É.

terça-feira, fevereiro 19, 2008


Não foi bom. Foi intenso. O momento mais importante da minha existência. Talvez. Hoje tenho de novo a magia que me fazia rodopiar no Verão. Poderia escrever mil linhas, falar da cor, do cheiro - sobretudo o cheiro - da chuva que estremecia lá fora. Poderia falar de tudo. Mas o tudo não se exprime em palavras.

.