
As coincidências enleiam as pessoas. Gostamos de alguém porque nos faz lembrar uma pessoa especial da nossa vida, tem a voz igual, a luz da menina dos olhos idêntica, aquela maneira de nos pousar o olhar. Depois, aos poucos, queremos à força tomar o velho sabor. Tentamos inexplicavelmente desenhar a recém conquista até que fique tal e qual a velha paixão. Sem querer dizemos as mesmas palavras, fazemos as mesmas coisas, oferecemos os mesmos perfumes, seguimos o mesmo ritual. E há um dia em que tudo se desfaz e nos sentamos numa esplanada à espera da próxima coincidência. Até aprendermos que não há coincidências.